novembro 09, 2004

Conversa da Treta

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FEIRA POPULAR


Toni - Eh pá, Zezé, desculpa, mas não acredito!

Zezé - 'Tou-te a dizer, Tóni! Vão tirar a Feira Popular donde ela está e vão
pô-la no Parque das Nações, onde era a Expo 98!

Toni - Tssh! O transplante, mexerem numa coisa sagrada, pá, uma coisa
carregadinha, carregadinha de tradição, como é a Feira Popular!? Atão e a
Expo? Vão metê-la aonde?

Zezé - Tóni... A Expo já acabou!

Toni - O quê? Eh pá tu não me digas uma coisa dessas, pá! E eu que tenho lá
em casa dois bilhetes... Até já tinha prometido à minha mulher que lá íamos
este fim-de-semana...! Ao peixanário!

Zezé - Deixa estar, Tóni! Aquilo também, comparado com a Feira Popular, não
interessava nada! Eu nem lá fui!

Toni - Ai isso acredito! (ENTUSIASMADO) A Feira Popular, pá... Eu, cada vez
que lá vou, viro o boneco! Tu sabes que eu cheguei a trabalhar lá?

Zezé (GOZÃO) - Tu? Trabalhar? Tóni, vê-me aí a pulsação que eu acho que o
meu coração parou de bater!

Toni - 'Tou a falar a sério! Estava no "Poço da Morte"! E olha que aquilo
era mesmo perigoso... Um dia estava a ver o Paquito, de mota, lá às voltas,
às voltas, às voltas... Eh pá, às tantas fiquei tonto com tanta volta e
truclas! - caí lá para dentro e ia-me matando!

Zezé - Eia Tóni, granda bronca! E depois?

Toni - Eh pá, o pior nem foi a queda em si! Só que depois estava a ver que
ainda morria ali atropelado! Tive de andar a correr à frente da mota, de
ladecos, pelas paredes, senão o Paquito ainda me passava a ferro! E as
pessoas gostaram tanto do número que o Paquito resolveu contratar-me!

Zezé - 'Tá boa, 'tá boa! E depois porque é que não continuaste?

Toni - Eh pá, houve um dia que me entusiasmei, e pus-me a correr tanto que
às tantas era eu que ia atrás da mota do Paquito. Ia tão largado que olha -
atropelei-o!

Zezé - Atropelaste o Paquito?

Toni - Pois. Ele ficou bem, mas a mota saltou do poço, furou a tenda e até
hoje não se sabe dela! O Paquito tinha muita estima por aquela mota, e olha
- despediu-me!

Zezé - 'Tá boa, 'tá... Eu também adoro a Feira Popular! Carrinhos de choque,
por exemplos... até me repasso! Aquilo pra mim, só tem um defeito...

Toni - 'Atão?

Zezé - Eh pá, pra condutores à séria, assim como eu, aquela pista é pequena
demais, pá! O ano passado dei por mim já ia a meio do túnel de Entrecampos,
a abrir! Só que às tantas fui obrigado a parar...

Toni - Pela polícia?

Zezé - O quê? Nada disso, pá! Acabaram-se-me as fichas!

Toni - Tiveste azar! Mas olha, o que eu gramo mesmo é a montanha-russa, pá!
Aquilo faz um gajo ter uma nova perpespectiva da vida! Quando um gajo vai a
meio do lópingue é que vê o mundo como ele é, virado de cabeça pró ar!

Zezé - Pois é 'tá tudo ao contrário! Mas olha, 'tava-me agora a lembrar
daquela vez em que fomos os dois prá barraca dos tiros!

Toni - Eia, a barraca dos tiros! (MUDANDO DE TOM) Não me lembro!

Zezé - Tóni... 'atão tu não te lembras de eu ter ganho uma garrafa de anis
escarchado? Às tantas 'távamos a beber e a disparar, contra aquele boneco
muita grande, que não parava de se mexer...

Toni - O quê? Um que até chamou a polícia?! Já me lembro, já me lembro! Esse
boneco 'tava muita bem feito, pá! Parecia real!

Zezé - Exactamestes! Ó Tóni... Eu 'tava aqui a pensar,,, Se a Feira Popular
vai mudar de sítio, prontos, assim mais amplificado... Eh pá, nós podiamos
montar lá o nosso próprio negócio!

Toni - Um negócio próprio? Assim de nós mesmos próprios? Olha, porque não?
Mas assim à base de quê?

Zezé - Eh pá, venda de produtos, juntar o tradicional ao agradável, 'tás a
vêr? Por exemplos: sardinha!

Toni - Ui! O que não falta na Feira Popular é boa sardinha! Até vêm a saltar
em cima da carcaça!

Zezé - Oh, 'tá bem, mas nisto um gajo tem é de ter olho para inovações! Nós
íamos montar o primeiro estaminé de sardinha - agarra-te senão cais -
sardinha caramelizada!

Toni - Eia, Zezé... Ganda ideia! Até parece que já estou a ver o peixe, com
o caramelo a escorrer-lhe pela guelra, enfiado num pau de gelado pra um gajo
ir chupando no Verão!

Zezé - Cala-te, que já se me pingam as beiças de baba! Mas agora prepara-te,
que vais ouvir a ideia que vai fazer de nós o éxe lebres da Nova Feira Pop!

Toni - O quê? Mas há mais? Eu não aguento isto! Conta, conta...!

Zezé - Tu sabes onde é que eu 'tou a pensar montar o estaminé da sardinha
caramelizada? Na montanha-russa, tipo estação de serviço!

Toni - O quê? A meio do lópingue? Sardinha drive-in! Eia, olha lá...

Zezé - Ouve lá!

Publicado por mood em novembro 9, 2004 09:23 AM
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