O tempo acaba o ano, o mês e a hora
O tempo acaba o ano, o mês e a hora,
A força, a arte, a manha, a fortaleza;
O tempo acaba a fama e a riqueza,
O tempo o mesmo tempo de si chora;
O tempo busca e acaba o onde mora
Qualquer ingratidão, qualquer dureza;
Mas não pode acabar minha tristeza,
Enquanto não quiserdes vós, Senhora.
O tempo o claro dia torna escuro
E o mais ledo prazer em choro triste;
O tempo, a tempestade em grão bonança.
Mas de abrandar o tempo estou seguro
O peito de diamante, onde consiste
A pena e o prazer desta esperança.
Luís de Camões
Aqui vai uma curiosidade que nada tem a haver com o lindo poema de Luís de Camões. É sabido, através das crónicas existentes, que Luís de Camões era muito requisitado por D. Sebastião. O rei chamava-o muitas vezes à corte para ouvir trechos d'Os Lusíadas. O mesmo chegou a recompensá-lo pelos serviços prestados no Oriente e pelo poema épico. Muito se tem especulado se nao terá sido a leitura do poema que despoletou a insanidade mental no rei (segundo registos históricos crê-se que sofria de alguma doença mental...). D. Sebastião ao querer igualar-se aos bravos portugueses da epopeia camoniana precipitou-se para a trágica e ridícula guerra em Alcácer-Quibir... Mas como sempre, as decisões patéticas são transformadas em feitos heróicos, e muitos esperam que o jovem rei, demente e débil volte num dia de nevoeiro...
Só mais uma coisa... pelos vistos ele ganhou durante a sua adolescência um nojo às mulheres... Será que está explicada a sua insistência para que Luís de Camões frequentasse a corte? Talvez sim, talvez não...
Muito obrigado pela riqueza histórica que deste a este post, guida! ;)
Afixado por: mood em maio 14, 2004 02:36 PMMuito lindo este poema
Afixado por: Joyce em maio 14, 2004 02:58 PM